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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O ideal do crítico...

"O crítico deve ser independente, — independente em tudo e de tudo, — independente
da vaidade dos autores e da vaidade própria. Não deve curar de inviolabilidades
literárias, nem de cegas adorações; mas também deve ser independente das sugestões do
orgulho, e das imposições do amor próprio. A profissão do crítico deve ser uma luta
5constante contra todas essas dependências pessoais, que desautoram os seus juízos, sem
deixar de perverter a opinião. Para que a crítica seja mestra, é preciso que seja imparcial,
— armada contra a insuficiência dos seus amigos, solícita pelo mérito dos seus
adversários, — e neste ponto, a melhor lição que eu poderia apresentar aos olhos do
crítico, seria aquela expressão de Cícero, quando César mandava levantar as estátuas
10de Pompeu: — "É levantando as estátuas do teu inimigo que tu consolidas as tuas
próprias estátuas". A tolerância é ainda uma virtude do crítico. A intolerância é cega, e a cegueira é um elemento do erro; o conselho e a moderação podem corrigir e encaminhar as
inteligências; mas a intolerância nada produz que tenha as condições de fecundo e
duradouro."
*O ideal do crítico, Obra Completa de Machado de Assis, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, vol. III, 1994. Publicado originalmente no Diário do Rio de Janeiro, 8/10/1865.

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